Carla Paula

Nem sempre é a memória: Alzheimer afeta visão, linguagem e motivação...

Publicado por Carla Paula · Categoria Saúde · 12/08/2017 20:09 · 5 Visualizações

Cristiane Capuchinho 


Do UOL, em Porto Alegre 19/06/2017  04h00.




Metade dos pacientes com Alzheimer pode não ter problemas de memória no início da doença..



O mal de Alzheimer costuma ser associado a momentos de falta de memória, no entanto, nem sempre a memória é prejudicada no início da doença. Os sintomas podem se manifestar em problemas na linguagem, desorientação espacial ou mesmo falta de motivação, alerta Marek-Marsel Mesulam, diretor de neurologia cognitiva da Universidade de Northwestern.




A descoberta muda o diagnóstico clássico da doença, que afeta mais de um milhão de pessoas no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Uma boa memória passa a não ser suficiente para descartar o Alzheimer como doença possível em seus primeiros sintomas.


"Há uma tendência de achar que Alzheimer é uma doença da memória que atinge os mais velhos, mas na verdade há diferentes tipos de Alzheimer", afirma Mesulam. "Algumas vezes a memória é o maior problema, mas não é sempre."



O neurologista norte-americano explica que são quatro os tipos de Alzheimer diagnosticados entre os 40 e 70 anos. Um deles afeta principalmente a memória, e é o tipo mais conhecido. No entanto, em outras três formas, o paciente pode não ter qualquer sintoma de falta de memória no início da doença. 


O sintoma principal pode ser a afasia, quando a pessoa não encontra as palavras sistematicamente na hora de se expressar. Em outro tipo, há uma acentuada perda de motivação em atividades pelas quais a pessoa costumava se interessar ou por pessoas de seu círculo social, ou ainda elas estão fazendo coisas inapropriadas --"comprando demais, comendo demais"



Em uma quarta forma da doença, os primeiros sintomas aparecem com dificuldades de orientação.



"O paciente não encontra as coisas, em casos mais dramáticos não veem os objetos mesmo quando estão à sua frente, parece que ele está sempre olhando para o lugar errado. Às vezes, o paciente não consegue fazer a cama por não achar a orientação correta do lençol."

M-Marcel Mesulam, pesquisador




Mudança no diagnóstico, alteração no tratamento 


A importância desse novo olhar é a busca de um diagnóstico precoce correto --quanto mais cedo o diagnóstico, antes é possível começar o tratamento que retarda a doença, tendo em vista que ainda não há cura.



Segundo o pesquisador, a doença já está presente no cérebro dos pacientes muitos anos antes dos primeiros sintomas.


 "É importante saber que se nem todo Alzheimer é igual, os tratamentos psicossociais devem ser diferentes", lembra Mesulam. A terapia usada para pessoas com problemas graves de memória não vai funcionar para um paciente que tenha problemas de linguagem, por exemplo.



A predominância dos tipos de Alzheimer que não têm a memória como sintoma principal pode chegar a metade dos casos entre pacientes de 40 a 70 anos, estima o pesquisador norte-americano.


 O quadro foi apresentado no Congresso Mundial de Cérebro, Comportamento e Emoções, que aconteceu em Porto Alegre.



O quadro foi apresentado no Congresso Mundial de Cérebro, Comportamento e Emoções, que aconteceu em Porto Alegre. Em relação aos medicamentos, Mesulam diz que, teoricamente, as drogas devem funcionar para todos os tipos. No entanto, são necessários estudos específicos.




Getty Images




Envelhecimento da população acende alerta



Em 2010, o Brasil tinha 19,6 milhões de idosos (10% da população brasileira). A estimativa do IBGE é de que essa população triplique até 2050, chegando a 66,5 milhões de pessoas .


A doença é mais comum conforme a idade avança. Em um estudo brasileiro de 2004, Ricardo Nitrini, professor da USP (Universidade de São Paulo), observou que, após os 65 anos, a taxa de demência dobra a cada 5 anos.


O Alzheimer é responsável por mais da metade dos casos de demência acima dos 65 anos, segundo o Ministério da Saúde. Ainda pouco se sabe sobre como evitar o Alzheimer, no entanto, ao que parece, ter atividades desafiadoras a mente aumenta o número de conexões criadas entre as células nervosas, e isso retarda os sintomas mais graves da doença. 


* A jornalista viajou a convite do Instituto de Neurociências Integradas 




"Não subestimem suas habilidades", diz idoso japonês que luta contra Alzheimer Masahiko Sato (o de jaqueta laranja) é um engenheiro de sistemas aposentado diagnosticado com o mal de Alzheimer há dez anos. Aos 61 anos, ele combate o preconceito contra doenças mentais. Sato vive sozinho e tem dado palestras sobre o tema em várias partes do Japão. Já tem até um livro








Durante um passeio no parque, Sato leva pendurado no pescoço um crachá onde se lê "Eu tenho demência e preciso da sua assistência". Ele se tornou uma inspiração para pessoas que também sofrem da doença, encorajando as pessoas a falarem sobre o assunto, lutando para que o tema deixe de ser um estigma


Flores de cerejeira florescem no parque Omiya, no norte de Tóquio (Japão), durante visita de um grupo que combate o preconceito contra quem sofre de demência. "Eu quero dizer às pessoas que não subestimem suas habilidades. Há coisas que você não pode fazer mas há um monte que dá para fazer, então não se desespere", afirma Masahiko Sato, engenheiro diagnosticado com Alzheimer




Masahiko Sato, 61, se reúne com companheiros para um passeio no parque Omiya, no norte de Tóqui (Japão), para observar as cerejeiras florescendo. Há dez anos ele foi diagnosticado com mal de Alzheimer e chegou a pensar que sua vida estava acabada por causa da doença... - 








Kanemasa Ito, 72, arruma os sapatos dentro do armário junto com a mulher, Kimiko, 68, que foi diagnosticada com demência há 11 anos, enquanto se preparam para fazer compras em Kawasaki, no sul de Tóquio. Encorajar pacientes com demência a falar sobre o tema faz parte dos esforços do governo para aliviar a imagem negativa desse que já afeta cerca de 5 milhões de cidadãos, número que deve aumentar para 7 milhões até 2025 -- um em cada cinco japoneses com 65 anos ou mais...





Kanemasa Ito coloca um colar com GPS na mulher, Kimiko, 68, que foi diagnosticada com demência há 11 anos. Grande parte dos pacientes que sofrem algum tipo de demência no Japão vivem com familiares, que lutam para conciliar o cuidado com os trabalhos, mas a cada ano cerca de 100 mil pessoas acabam deixando de trabalhar para desempenhar a tarefa. Cerca de 11 mil pessoas com demência foram dadas como desaparecidas em 2014




Kanemasa Ito, 72, conversa com a mulher, Kimiko, 68, que há 11 anos foi diagnosticada com demência. Ito teve que fechar as duas lojas de conveniência que administrava com Kimiko quando soube que a mulher estava doente








"Eu planejava trabalhar até os 85 anos. Agora eu penso, será que vou passar o resto da minha vida cuidando da minha mulher?", se pergunta Kanemasa Ito. . Na imagem, ele e Kimiko descem escada em direção ao mercado em Kawasaki, no sul de Tóquio (Japão). Há 11 anos eles descobriram que ela sofria de demência 







Casal posta para foto durante passeio no parque Omiya, no norte de Tóquio (Japão), para observar as cerejeiras florescendo. A mulher de 62 anos descobriu que demência há dez anos. O governo japonês tem um plano que inclui uma ênfase na detecção precoce, mais médicos e cuidadores primários para cuidar de pessoas com demência 








Os programas de atenção a essa parcela da população são bem vistos por especialistas que lidam com o assunto. Mas, há o temor de que reformas do sistema de seguro, a longo prazo, sob a pressão fiscal em um país com enorme dívida pública, impulsionem os encargos das famílias, tornando mais difícil para as pessoas com deficiências mais leves ter acesso aos serviços.





Para Kanemasa Ito, cortes em qualquer benefício social poderiam ameaçar seu sonho de cuidar de Kumiko em casa. "Eu quero viver com ela em casa o maior tempo possível", disse ele, tocando suavemente seu pulso



obs. conteúdo meramente informativo procure seu médico

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Carla

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